Há projetos que nascem de uma visão estratégica e outros que têm origem numa necessidade concreta do mercado. O novo parque industrial de Zonamerica reúne ambas as condições: representa uma nova etapa de crescimento e responde a anos de conversações com empresas que procuravam desenvolver os seus negócios a partir do Uruguai, mas
precisavam de alternativas diferentes do Regime de zona franca.

Para Magdalena Rodriguez Luis, diretora comercial da Zonamerica, esta evolução significa alargar as soluções disponíveis, acompanhar novos investimentos e consolidar um ecossem
capaz de responder a diferentes realidades produtivas. A iniciativa começou a despertar interesse ainda antes do seu lançamento comercial formal. Na altura da entrevista,
e sem ter desenvolvido campanhas ativas, já contava com três reservas confirmadas, entre as quais as de dois laboratórios farmacêuticos e um projeto audiovisual.

Uma nova plataforma que surge da atenção prestada às necessidades do mercado.

A decisão de desenvolver um parque industrial surge em resposta a uma realidade identificada ao longo de anos de contacto com potenciais investidores. Embora as zonas francas permitam a realização de atividades industriais, nem sempre oferecem as condições mais favoráveis para operações destinadas a determinados mercados do Mercosul, nomeadamente a Argentina, devido às regras de origem e às suas consequências pautais.

A Zonamerica viu ali uma oportunidade: oferecer uma plataforma complementar, tirando partido dos benefícios da Regime relativa aos parques industriais e da Lei de Promoção de
Investimentos, sem abdicar da sua infraestrutura e experiência de gestão.

«Já dispúnhamos da infraestrutura e dos ecossistemas criados na zona franca. Queríamos oferecer aos nossos potenciais clientes outra possibilidade de fabricar a partir daqui e abastecer os países da região», explica Magdalena.
A resposta do mercado confirma, na sua perspetiva, o valor de desenvolver soluções a partir de necessidades comerciais concretas.

Um « campus », dois regimes e um mesmo ecossistema

Um dos principais diferenciais do projeto é a sua integração com a infraestrutura existente.

«Gostamos de dizer que se trata de um “ campus ” com duas jurisdições, e não de dois “ campus”», resume Magdalena.
Ambos os espaços manterão as delimitações regulamentares correspondentes, mas estarão interligados internamen-
te, permitindo tirar partido de um ecossistema consolidado que já oferece serviços gastronómicos, bancos e múltiplas comodidades.

A isto acrescenta-se uma localização estratégica, próxima do cruzamento das estradas 102 e 8, cuja acessibilidade, conectividade e visibilidade representam vantagens para as empresas.

«O nosso melhor cartão de visita é a nossa zona franca», salienta. Para a executiva, conhecer o que a Zonamerica construiu permite aos potenciais investidores visualizar as características do novo empreendimento e encontrar um apoio fundamental para as suas decisões: a confiança.

Setor farmacêutico, alimentar e audiovisual: oportunidades que vão ganhando forma

A diversidade das consultas recebidas confirma o potencial de uma proposta que vai além de uma única atividade.

A indústria farmacêutica figura entre os setores com maiores oportunidades. A chegada prevista de duas empresas farmacêuticas constitui um sinal importante, mas Magdalena salienta que o potencial se estende também aos fornecedores e às empresas que integram toda a cadeia de valor do setor.

A indústria alimentar constitui outro segmento atraente, desde a produção de matérias-primas até aos processos avançados de transformação. No entanto, a Magdalena introduz um fator decisivo: a tecnologia.

O Uruguai apresenta custos laborais superiores aos de alguns países da região, o que o torna especialmente atraente para projetos cuja competitividade assenta na automatização, na inovação e no valor acrescentado.

A indústria audiovisual também ocupa um lugar de destaque, acompanhada por oportunidades relacionadas com centros de distribuição e operações logística, especialmente no que diz respeito ao consumo de massa. O objetivo é integrar produção, tecnologia e logística numa plataforma empresarial capaz de se adaptar a diferentes modelos de negócio.

Investimentos para crescer e conquistar novos mercados

A primeira fase abrange aproximadamente 24 hectares, com a possibilidade de incorporar mais 50 hectares em futuras ampliações, acompanhando a evolução da procura.
Do ponto de vista comercial, a Magdalena identifica dois perfis de investidores: empresas que já operam no Uruguai e pretendem mudar-se para ampliar as suas capacidades e mercados, bem como novos projetos que consideram o país uma plataforma fiável para desenvolver as suas atividades na região.

Das oportunidades analisadas na altura da entrevista, cerca de 60% correspondiam a deslocalizações com potencial de expansão e os restantes 40% a iniciativas que ainda não operavam no Uruguai. Esta composição reflete que o parque não procura apenas atrair investimentos estrangeiros. Também pode acompanhar o crescimento de empresas já estabelecidas no país, cujas instalações atuais apresentam limitações para se expandirem ou acederem a novos mercados.
Assim, uma relocalização pode tornar-se uma oportunidade de transformação produtiva.

O Brasil, a Argentina e o valor da estabilidade

A visão comercial de Magdalena também se estende à região. No que diz respeito ao Brasil, ela observa um interesse particularmente significativo. Segundo a sua experiência, nunca tinham recebido tantas consultas provenientes desse mercado. «O Brasil está a olhar para o Uruguai mais do que
nunca», afirma.
A executiva associa este fenómeno às alterações fiscais brasileiras e à necessidade de algumas empresas avaliarem alternativas para manter a eficiência das suas operações.
O interesse abrange atividades financeiras, farmacêuticas, maquinaria industrial e comercialização internacional, entre outras.
Na Argentina, as alterações regulamentares também geram novas condições de mercado. No entanto, Magdalena salienta que as decisões industriais exigem horizontes de longo prazo e não são revertidas imediatamente perante transformações conjunturais. Ao mesmo tempo, uma maior facilidade para importar pode reforçar o papel do Uruguai como centro regional de distribuição para a Argentina e outros destinos.

Neste contexto, a estabilidade do Uruguai continua a ser um argumento relevante para os investidores regionais e as empresas europeias que procuram consolidar a sua presença na América Latina.

A confiança como ponto de partida

Para Magdalena, as empresas não escolhem uma localização apenas pelos incentivos fiscais. Também têm em conta as infraestruturas, os serviços, a conectividade e as possibilidades
de crescimento. O novo parque industrial representa a oportunidade de reunir esses atributos sob um Regime complementar, alargando o alcance de uma proposta que a Zonamerica vem construindo há anos. Por trás de cada projeto existe uma decisão de longo prazo que requer conhecimento, acompanhamento e confiança. E essa parece ser a essência desta nova etapa: transformar a experiência acumulada em oportunidades concretas, acompanhando as empresas que encontram no Uruguai o local a partir do qual podem projetar o seu futuro.

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