Marcos Villanueva, sócio fundador da Holistic Advisors, partilha a sua visão sobre o valor da cooperação e do crescimento orgânico no mundo da consultoria financeira. Com um olhar otimista para o futuro, Marcos reflete também sobre a sua experiência na Zonamerica e sobre como o ecossistema financeiro líder do Uruguai promove a colaboração entre empresas, tornando este local uma referência para o desenvolvimento profissional na região.

 

Estiveste ligado ao setor bancário internacional. Como se desenvolveu a tua carreira profissional? Como é que chegaste ao mundo da consultoria financeira?

Tudo começou no estádio do Boca. Enquanto estudava na Universidade Di Tella (Argentina), levava turistas estrangeiros à Bombonera. Isso foi nos anos 2000-2001, infelizmente o melhor momento do Boca, porque sou adepto do River. Em 2002, numa dessas visitas guiadas, conheci um americano que trabalhava na QBE, uma seguradora australiana. Tivemos uma conversa muito boa e, antes de partir, ele disse-me: «Envia-me o teu currículo.» Entrei na empresa em maio de 2003, recém-licenciado, e trabalhei lá até 2007. Durante esse período, morei em São Paulo, desenvolvendo-me na área atuarial da empresa.

 

Daí vais para a Merrill Lynch?

Sim, sempre me interessei pelo mundo das finanças. Por essa altura, já tinha sido aprovado no primeiro exame do CFA (Chartered Financial Analyst), uma certificação bastante exigente com três níveis.

No mesmo edifício onde ficava a QBE, também havia escritórios da Merrill Lynch, que se dedicava à banca internacional. Um dia, no elevador, encontrei um amigo que me disse que estavam à procura de pessoal. Não hesitei, enviei o currículo, fui entrevistado e fui contratado. Assim, passei do 20.º andar da QBE para o 22.º da Merrill Lynch, onde trabalhei entre 2007 e 2010.

Em 2010, a Merrill Lynch encerrou as suas atividades na Argentina e propuseram-nos mudar-nos para o Uruguai, onde já operavam na Zonamerica desde 2000. Eu estava prestes a casar e a ideia de viver no Uruguai não me agradava de todo. Além disso, era uma oportunidade de crescimento, pois propuseram-me entrar num programa em que, se cumprisse determinados objetivos, poderia tornar-me Consultor Financeiro.

Juntamente com Martín Christiansen, que foi o meu primeiro sócio, conseguimos concretizar esse objetivo e, em junho de 2010, mudámo-nos para o Uruguai.

 

Foi nessa altura que começou o caminho para a Holistic Advisors?

Exatamente. Em 2013, o Julius Baer adquiriu a Merrill Lynch, pelo que passámos a fazer parte dessa empresa.

Em 2017, com o Martín, começámos a pensar em novos desafios. Foi então que descobrimos na Holistic uma boa oportunidade. Fundámos a Holistic Advisors no Uruguai, porque até então ela ainda não existia.

Ao mesmo tempo, adquirimos uma sociedade com licença de consultoria de investimentos que já estava constituída, mas sem atividade. Transferimo-la para a Zonamerica, renomeámo-la como Holistic Advisors e integramo-la na nossa organização. O nome derivava da Holistic Brokerage, a primeira empresa do grupo, que tinha sido fundada no Panamá em 2013.

Foi assim que nos juntámos à Holistic, integrando a nossa operação no Uruguai no projeto.

 

Como foi o processo de instalação na Zonamerica?

Na altura, tivemos de apresentar um plano tanto ao Banco Central como à Zonamerica para podermos levar o nosso projeto por diante. E, na verdade, oito anos depois, posso dizer que o cumprimos com folga. Atualmente, temos mais de 25 pessoas a trabalhar na Holistic Advisors.

Além disso, expandimos no Panamá e abrimos uma corretora em Miami. Com isso, o grupo passou a ser composto por uma empresa de sub-clearing no Uruguai, outra no Panamá e a corretora em Miami.

Esta mudança permitiu-nos alcançar a sustentabilidade a longo prazo do negócio, uma vez que Miami é um mercado mais reconhecido e valorizado na região.

 

Qual é o diferencial da Holistic no mercado?

O nosso diferencial reside no facto de, na Holistic, os sócios serem simultaneamente produtores e consultores financeiros. Cada um de nós dedica-se inteiramente à atividade de consultoria financeira. Investimos todos os nossos recursos para oferecer o melhor serviço possível aos nossos clientes. A empresa funciona quase como uma cooperativa, no sentido de que todos estamos focados em alocar recursos aos clientes. Vivemos da nossa atividade de consultores de investimento.

Na Holistic, também valorizamos muito a química entre as pessoas nas nossas equipas de trabalho. Os consultores que se juntam à empresa costumam ser amigos ou antigos colegas de trabalho. A maioria dos nossos consultores trabalhou connosco na Merrill Lynch, pelo que partilham uma formação e valores muito semelhantes aos nossos.

 

Será que esta cooperativização do trabalho constitui o valor acrescentado da empresa?

Sim, penso que procuramos duas coisas fundamentais. Por um lado, a ética, que é o nosso principal valor acrescentado na consultoria. Desde que fundámos a Holistic Advisors em 2017, o nosso objetivo tem sido agir de forma profissional e transparente.

Por outro lado, apostamos na cooperação dentro da equipa. Reunimo-nos semanalmente para discutir estratégias de investimento, partilhar ideias e criar sinergias. Num setor que costuma ser individualista, decidimos trabalhar de forma colaborativa porque acreditamos que a economia de escala acrescenta muito valor.

Hoje, após vários anos, podemos confirmar que esta forma de trabalhar funciona. A cooperação não só melhora a qualidade do aconselhamento, como também cria um ambiente em que a partilha de conhecimentos ocorre de forma natural, sem se esperar nada em troca.

 

Por que escolheu o Uruguai quando fundou a empresa em 2017?

O Uruguai é um lugar excecional para se viver, especialmente para quem procura qualidade de vida e tranquilidade. No meu caso, cheguei recém-casado e com a ideia de constituir família, e encontrei no Uruguai o ambiente ideal para criar os meus filhos. É um país seguro, com um ritmo de vida mais descontraído em comparação com grandes cidades como Buenos Aires ou São Paulo.

O trânsito é mínimo, as pessoas vivem com menos ansiedade, o que se traduz numa vida mais equilibrada. Durante a pandemia, muitos optaram por se mudar para cá, não só por razões fiscais, mas porque encontraram realmente um lugar onde se vive bem. Além disso, a proximidade com a Argentina facilita manter laços, viajar e manter-se ligado à região.

Ao longo dos anos, tive oportunidades para mudar de país, mas optei sempre por ficar aqui. A tranquilidade, a segurança e a qualidade de vida que este lugar oferece são incomparáveis.

 

Como tem sido a experiência com os talentos locais em termos de recursos humanos?

Embora a Holistic Advisors seja uma empresa relativamente pequena, com cerca de 25 funcionários, atualmente 75% da nossa equipa é composta por profissionais uruguaios. No início, a maioria de nós era argentina, mas, com o tempo, fomos incorporando mais uruguaios e a experiência tem sido muito positiva.

O Uruguai dispõe de bons recursos humanos, e nós encontrámos profissionais qualificados que cresceram dentro da empresa, assumindo funções mais desafiantes, inclusive a nível regional. Acreditamos firmemente no desenvolvimento interno e gostamos de formar talentos. Na verdade, algo que nos caracteriza na Holistic é que realmente apreciamos esse processo: divertimo-nos a recrutar pessoas, a formá-las e a ver como evoluem e crescem dentro da empresa.

Obviamente, não posso generalizar sobre todo o mercado de trabalho uruguaio, mas a nossa experiência tem sido muito positiva. Contratamos entre 5 e 7 novos colaboradores por ano e conseguimos construir uma equipa sólida e em constante evolução.

 

De que forma a presença na Zonamerica acrescenta valor à Holistic Advisors?

Na Holistic Advisors, promovemos um forte espírito de cooperação interna, e é exatamente isso que encontramos na Zonamerica. Aqui há muitas pessoas do setor com quem interagimos constantemente: reunimo-nos, almoçamos, trocamos opiniões e partilhamos ideias sobre o mercado. Esse ecossistema de networking é um grande diferencial da Zonamerica em relação a outras zonas francas.

Além disso, no parque, são organizados eventos, formações e encontros colaborativos que fazem realmente a diferença. Não é apenas um espaço físico, mas uma comunidade onde estamos constantemente a interagir, a trocar ideias e a criar oportunidades de negócio.

 

Quais são os próximos desafios e planos de crescimento da Holistic Advisors?

Na Holistic Advisors, o nosso crescimento é orgânico. Concentramo-nos principalmente em atender os nossos clientes e é graças a este compromisso que temos registado um crescimento anual entre 10% e 20%.

Recebemos propostas de novos consultores que desejam associar-se a nós, mas não seguimos um plano de crescimento agressivo. Preferimos uma abordagem mais descontraída, em que possamos desfrutar do trabalho e sentir-nos à vontade. Não pretendemos apressar-nos nem comprometer-nos com planos que não possamos cumprir.

Por isso, continuamos neste caminho de crescimento orgânico, trabalhando dia após dia e concentrando-nos em prestar um serviço de excelência aos nossos clientes, porque sabemos que é aí que fazemos a diferença.

 

 

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