Com quase duas décadas no UBS e uma carreira construída entre a Europa, a América Latina e os Estados Unidos, Nicolás R. Bergengruen tem uma visão privilegiada sobre a evolução do mundo da gestão de património. Na sua função de Diretor Executivo e Diretor de Mercado, lidera equipas e acompanha clientes de património elevado e ultraelevado num contexto global marcado pela volatilidade, pela inovação tecnológica e por uma profunda mudança nas expectativas dos investidores. Nesta entrevista para a Zona de Charlas, partilha a sua trajetória profissional, a proposta de valor da UBS na região e a sua visão sobre o futuro da gestão de património.

 

Nicolás, ao longo da tua carreira, trabalhaste em vários países e mercados (Alemanha, Chile, México e Estados Unidos). De que forma essas primeiras experiências internacionais moldaram a tua visão da América Latina e a forma como lideras equipas hoje em dia?

Comecei a minha carreira no Ibero-Amerika Bank, um banco alemão com sede em Bremen/Hamburgo, dedicado principalmente ao financiamento de commodities. Esta experiência permitiu-me mudar-me para a Alemanha, familiarizar-me com o setor de crédito de um país desenvolvido e estar em contacto direto com os países da América Latina, tendo chegado a viver quatro anos no Chile e a viajar para a Argentina, o Peru, a Colômbia e outros países em representação da instituição. Estes primeiros anos foram fundamentais para desenvolver uma visão internacional e uma compreensão profunda dos mercados latino-americanos, aprendizagens que continuam a orientar o meu estilo de liderança até hoje.

Trabalhar em países como o Chile, a Alemanha, o México e os Estados Unidos ensinou-me a adaptar-me, tanto a nível pessoal como profissional, às constantes mudanças e aos desafios da região. O contacto com diferentes culturas e mercados reforçou a minha capacidade de liderança pragmática e flexível, levando-me a compreender que tanto os períodos de prosperidade como os momentos difíceis exigem respostas distintas. É precisamente nos momentos de maior incerteza que os clientes e as equipas mais precisam do nosso apoio e experiência.

 

O que significou para si assumir as funções de Diretor Executivo e Diretor Sénior de Mercado numa instituição global como a UBS?

A aquisição da nossa divisão de Wealth Management edo Dresdner Bank pela UBS em 2005 representou uma oportunidade única. Naquela altura, a atividade de Wealth Management começava a assumir um papel estratégico cada vez mais importante no setor bancário, e o UBS já era líder nesse setor. Integrar-me numa instituição de tal envergadura permitiu-me aceder a ferramentas e recursos de primeira linha, sem perder a ética de trabalho e a resiliência adquiridas em organizações mais pequenas. Esta combinação tem sido fundamental para o meu desenvolvimento profissional.

Atualmente, o UBS conta com uma presença consolidada na América Latina, seja diretamente ou através de bancos que passaram a fazer parte do grupo. Temos uma presença significativa no Brasil — reforçada após a aquisição do Credit Suisse — e escritórios no Chile, Panamá, Colômbia e Uruguai. A nossa proposta de valor baseia-se na experiência e no conhecimento dos nossos profissionais, bem como na capacidade de oferecer aconselhamento integral na gestão de patrimónios familiares, apoiados por uma rede global de centros de agendamento nos EUA, Suíça, Reino Unido e Singapura.

 

Que tendências tem observado na região no que diz respeito à gestão patrimonial de clientes de alto e ultra-alto património?

Atualmente, observamos várias tendências relevantes na região: a transferência geracional de patrimónios, a criação de valor em setores como o da tecnologia, um contexto geopolítico que suscita cautela e incerteza, e uma nova geração de clientes nativos digitais que está a transformar a forma como interagem com os produtos financeiros.

A solidez, o apoio e a confiança dos nossos clientes são os ativos mais valiosos da UBS. Por isso, investimos constantemente na modernização das nossas plataformas e sistemas, garantindo que a inovação tecnológica nunca comprometa os valores fundamentais que nos distinguem.

 

O UBS está presente no Uruguai há vários anos. Qual é o papel do escritório de Montevidéu na estrutura regional?

O escritório de Montevidéu é o único da UBS Financial Services fora dos EUA, o que representa uma honra e uma grande responsabilidade. Desempenha um papel estratégico na rede da UBS, aproximando os nossos profissionais dos mercados da Argentina, do Chile, do Paraguai, do Peru e de outros países.

 

Que fatores levaram a Zonamerica a ser o local escolhido para se instalar?

A Zonamerica foi escolhida pela sua experiência como centro de operações para empresas internacionais e pela qualidade do seu ecossistema. Os contactos com clientes da Zonamerica e (futuros) colaboradores elogiaram-nos a estrutura e, eles próprios, valorizaram a continuidade de permanecer a trabalhar nesse ambiente.

Do nosso ponto de vista, a experiência com a equipa da Zonamerica foi excelente. O profissionalismo e a simplicidade com que nos acompanharam no processo de instalação foram fundamentais. Além disso, o facto de muitos prestadores de serviços essenciais para nós — como contabilidade e assessoria jurídica — também estarem instalados lá influenciou a decisão de escolher a Zonamerica. O ambiente é propício a um excelente clima de trabalho: o cuidado com as áreas comuns, a logística e a organização fazem com que seja realmente um prazer vir trabalhar.

 

Se pensarmos no futuro do setor financeiro, que mudanças achas que irão marcar a próxima década na gestão de património?

O setor financeiro enfrenta uma transformação acelerada impulsionada pela tecnologia, pela diversificação de produtos e pela rapidez dos processos. No entanto, o papel do aconselhamento personalizado e do conhecimento global continuará a ser fundamental, especialmente num contexto em que as empresas e as famílias têm de se adaptar a mudanças de jurisdição e a cenários complexos. O apoio de uma instituição sólida como a UBS é e será cada vez mais valorizado.

A importância da América Latina na estratégia global do UBS continua a aumentar. Estou convencido de que continuaremos a acompanhar e a impulsionar esse crescimento nos próximos anos.

 

A nível pessoal, o que é que mais te motiva a liderar equipas e a acompanhar clientes num contexto tão dinâmico como o que referes?

Liderar equipas e acompanhar os clientes num ambiente tão dinâmico nunca foi tão motivador como agora. O valor acrescentado que proporcionamos em diversas áreas, a nossa capacidade de nos adaptarmos às mudanças e o papel de sermos o primeiro ponto de contacto para as famílias em momentos cruciais reforçam a importância do nosso trabalho e o impacto positivo que geramos.

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