Durante o mês de março, o laboratório Zodiac, que opera há 32 anos no Brasil, anunciou que, em 2023, adotará o nome de Adium, tal como a Nolver Uruguai, que a partir de junho fará o mesmo, em consonância com a sua empresa-mãe. A empresa Adium, fundada em 1975, teve inicialmente como foco o Cone Sul (Argentina, Chile, Paraguai e Bolívia), para depois iniciar um processo de expansão para 17 países da América Latina, incluindo o Brasil e o México. Entre as notícias corporativas mais destacadas do grupo Adium, destaca-se o acordo de representação com a Moderna para a distribuição em toda a América Latina da SPIKEVAX, a vacina desenvolvida pela Moderna contra o SARS-CoV-2. Conversámos com Patricia Beiro, vice-presidente de Operações Corporativas da Adium Pharma, sobre o futuro da indústria farmacêutica na América Latina.

 

Estão presentes em 17 países e tornaram-se uma referência na indústria farmacêutica. Como surgiu a Adium? Qual é o cerne do negócio?

Na Adium, dedicamo-nos ao desenvolvimento, produção e comercialização de produtos farmacêuticos na América Latina. Estamos presentes em toda a região, com mais de 6.000 colaboradores. A empresa possui duas unidades de negócio principais: Medicina Geral e OLE (Oncologia e Doenças Raras). Temos um portfólio de medicamentos genéricos com marca própria e produtos inovadores próprios e sob licença. Por licenças, refiro-me ao facto de assinarmos contratos de licença com empresas multinacionais e biotecnológicas, líderes a nível global, que nos escolhem como parceiros estratégicos para distribuir os seus produtos na América Latina. Entre elas, temos a Moderna, com a vacina contra a COVID, a Astellas, a Seagen, a Eli Lilly, a Amgen e outras. Estamos entre as seis primeiras posições do mercado farmacêutico latino-americano, de acordo com dados da IQVIA. O grupo tem mais de 240 moléculas no seu portfólio, 5 fábricas na região e produz mais de 100 milhões de unidades por ano.

 

Em março, a Zodiac, a sua filial brasileira, passou a chamar-se Adium. Que impacto calculam que a consolidação da marca terá na região?

A mudança de nome no Brasil foi um marco para a Adium. Um dos nossos objetivos estratégicos é crescer nesse mercado. Por isso, foi o primeiro país a adotar a marca Adium como nome oficial entre as empresas do grupo na região. Nos restantes países, também está previsto identificar o grupo com a marca no futuro. Hoje somos muito reconhecidos pela comunidade médica, mas com nomes diferentes. A ideia de sermos reconhecidos em toda a América Latina significa sermos identificados e reconhecidos como pertencentes ao mesmo grupo, o que é muito importante dada a qualidade dos nossos produtos, o nosso profissionalismo e a nossa orientação para a qualidade de vida dos pacientes.

 

O setor farmacêutico global registou um crescimento exponencial nas últimas décadas. O seu alcance é cada vez maior, passando da produção e do comércio tradicionais para um importante mercado de licenças e patentes. Como vêem o futuro do setor na América Latina?

Acreditamos que o setor farmacêutico continuará a crescer na América Latina e no mundo, impulsionado pelo aumento da população, pelo envelhecimento, pelo maior acesso aos cuidados de saúde e pela inovação tecnológica.

Na Adium, o nosso objetivo é ser uma empresa farmacêutica líder na América Latina, onde os nossos colaboradores possam desenvolver-se e crescer sem limites. Além disso, pretendemos oferecer aos médicos e aos doentes tratamentos inovadores e contribuir para o desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes. Da mesma forma, é prioritário o desenvolvimento de produtos próprios, bem como a ampliação de acordos com licenciantes, uma vez que a Adium é considerada um parceiro de eleição para as empresas inovadoras que pretendem disponibilizar os seus produtos aos doentes na América Latina.

 

Como é que abordam os vossos negócios na região a partir desta perspetiva?

Nos últimos anos, algumas multinacionais retiraram-se do mercado. Este fenómeno está a criar lacunas que nos interessa preencher, de modo a manter esses tratamentos na América Latina para todos os doentes.

 

A inovação tecnológica tornou-se um motor da economia e da qualidade de vida. Como é que a transformação tecnológica se integra na indústria farmacêutica?

A transformação tecnológica na indústria farmacêutica levou à criação de tratamentos mais eficazes e personalizados para os doentes. Atualmente, verifica-se uma maior eficiência no desenvolvimento e na produção de medicamentos, graças à garantia de processos mais sólidos e repetíveis.

A Adium está a iniciar um processo de transformação digital, com o objetivo de avaliar como integrar a tecnologia no nosso crescimento futuro. Por exemplo, graças à aquisição de equipamentos mais modernos, é possível contribuir significativamente para questões ambientais; a utilização eficaz da água e o consumo eficiente de energia são possibilitados pela digitalização. Dispomos também de políticas relativas à utilização de energias renováveis e à medição da pegada de carbono.

 

Que características apresenta o Uruguai para atrair investimentos e promover o desenvolvimento das exportações com foco nas Ciências da Vida?

O Uruguai, entre todos os países da América Latina, é um dos que apresenta maior estabilidade política e económica. Além disso, dispõe de um quadro regulamentar e jurídico muito favorável. O Uruguai é um país razoável e previsível para o investimento estrangeiro. Neste sentido, a segurança jurídica que o país oferece é fundamental para os investidores. O Uruguai também dispõe de recursos humanos altamente qualificados, graças a uma população instruída e com um elevado nível de competência técnica.

 

Que atividades desenvolvem em Montevidéu?

A sede fica aqui no Uruguai. A filial comercial local opera sob o nome de Nolver (a partir de junho, passará a chamar-se Adium), sendo a filial mais recente do grupo. Na ZONAMERICA, dispomos de um centro de acondicionamento primário e secundário. Também desenvolvemos no campus um hub logístico. Para nós, estas operações são muito importantes porque, tanto como hub como centro de acondicionamento, temos uma maior flexibilidade de resposta perante as mudanças nas exigências dos países.

 

A que se deve esta flexibilidade na resposta?

Na ZONAMERICA, podemos adaptar os produtos às regulamentações de cada país. Como pode imaginar, a indústria farmacêutica é um setor altamente regulamentado. Por isso, ao termos um centro de operações aqui, podemos estar mais próximos dos nossos clientes. Estamos instalados na ZONAMERICA há mais de 25 anos. Temos sido parceiros estratégicos ao longo de todos estes anos. Trabalhámos e crescemos juntos.

 

Que vantagens vêem no parque para o desenvolvimento da indústria farmacêutica?

A capacidade de trabalhar em estreita colaboração com a ZONAMERICA sempre que precisamos de otimizar os nossos processos. Por exemplo, em 2019, quando foi publicada uma norma que permitia a obtenção de certificados derivados de origem, ao trabalharmos com a Zonamerica fomos a primeira empresa no Uruguai a tirar partido desse benefício. Estes casos incentivam-nos a trabalhar em conjunto e a ver como podemos agilizar todas as operações no Uruguai.

É muito bom ter um parceiro estratégico. Não nos sentimos apenas um cliente da ZONAMERICA; consideramos-os nossos parceiros. Mantemos um diálogo aberto e estão sempre dispostos a trabalhar em conjunto. Acho notável a procura pela melhoria constante, a forma como investigam as nossas necessidades enquanto clientes e como a ZONAMERICA nos pode ajudar a dar resposta a essas necessidades.

 

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